Alfama, a vida no bairro tipico do centro de Lisboa

Alfama, bairro tradicional de Lisboa
Alfama, bairro tradicional de Lisboa

Alfama é um dos bairros mais tradicionais de Lisboa, cheio de vida e de história, é o bairro vencedor das festas populares de Lisboa de Santo António de 2016 e que se festejam todos os anos em Junho, é o bairro mais típico de Lisboa. É aquele bairro que melhor mostra o que é ser alfacinha e os cheiros e luzes das ruas de Lisboa. Em Alfama é possível ver um autêntico postal de viagens e que já se vê em muito poucos sítios da Europa: estendais com roupa estendida, mulheres a falar de uma janela para a outra, gatos nas janelas e cães a passear calmamente no meio da rua , portas abertas, o peixe a grelhar ao ar livre e, ao mesmo tempo, é possível ver como seria a capital portuguesa antes do terramoto de 1755, pois este bairro histórico não foi quase atingido por ele.

Ruas tipicas de Alfama
Ruelas tipicas de Alfama, com as escadarias a ligar as ruas ao longo do declive

Todas estas caraterísticas que Alfama mantém só são possíveis porque Alfama não perdeu a sua identidade ao longo dos séculos. Este bairro de Lisboa existe desde a fundação da capital portuguesa, desde a época dos fenícios e cartagineses (povos do Médio Oriente e do Norte de África). Com os romanos, Alfama viu crescer a sua importância com a introdução e desenvolvimento das indústrias pesqueiras. Nesta altura, é possível ver que Alfama tinha duas regiões bem definidas: uma que ia desde o actual Teatro Romano até à Sé de Lisboa e à Casa dos Bicos e outra que vai da Ribeira até à rua dos Correeiros, já na periferia de Alfama. Dentro destas duas regiões, existia uma via pedonal a liga-las entre si, era a grande estrada da época em Lisboa.

História de Alfama, desde o antigamente

Na época de ocupação árabe, era no Castelo de São Jorge que estava o centro de poder e a casa do governante alcaide. O Castelo de São Jorge é de origem árabe e está situado no topo da cidade e de Alfama. O posicionamento do Castelo permite ter uma vista privilegiada sobre toda a cidade e sobre o vale e beira-rio, onde nasceu Lisboa. No topo do Castelo, existe um miradouro onde se podem ver, de um lado a Costa do Castelo, os telhados da Mouraria e o Martim Moniz. Para além desta vista, é possível ainda ver a Baixa de Lisboa e São Roque, as ruínas do Convento do Carmo e o miradouro de São Pedro de Alcântara. Os seus olhos podem continuar a ver Lisboa, focando desta feita, Alfama, facilmente identificável pelos seus telhados e ruas estreitas e sinuosas, passando pela Sé e em direção ao rio Tejo. Neste miradouro é ainda possível ver a parte nobre e nova da cidade, já com avenidas largas e modernas e prédios em construção.

É durante o período islâmico que a muralha é toda construída e de onde ganha o seu nome actual: alhama (banhos), que deu depois origem a Alfama. Em Alfama existia uma zona de banhos quentes perto do porto. O bairro histórico lisboeta de Alfama tem as características urbanísticas semelhantes ao Norte de África porque reflecte a medina ou “souk” árabe. Esta influencia está ainda na organização tribal e familiar de Alfama. Como grande centro de poder que era no período muçulmano, Alfama tem uma Grande Mesquita Central, que foi depois substituída pela actual Sé de Lisboa. Com a Reconquista do primeiro rei de Portugal, Don Afonso Henriques em 1147, os mouros e judeus ficaram em Alfama e noutros bairros limítrofes de Lisboa, como a Mouraria, mas como Alfama estava muito afastada do poder real, ficou politicamente autónomo até ao século XVI no que diz respeito aos judeus e até ao século XVIII em relação aos mouros. Apesar desta autonomia, o Rei de Portugal fez questão de fazer sentir a sua presença na região, nomeadamente através da construção das Igreja com o objectivo de apaziguar a insegurança vivida. Foi assim que a autoridade régia conseguiu a sua presença forma mais física em Alfama. Como exemplo disto temos as Igrejas de São Miguel e de São Pedro.

Miradouros de Alfama
De Alfama podemos apreciar a vista da cidade de Lisboa, do rio tejo e dos telhados dos bairros caraterísticos
SÉ de Lisboa
SÉ de Lisboa

Para além dos muçulmanos, havia ainda judeus a morar em Alfama o que levou à criação de uma judiaria (bairro habitado por judeus) neste bairro histórico de Lisboa devido ao facto de antigamente serem considerados cidadãos de segunda. Por isso foram enviados para os limites da capital portuguesa. Alfama começava a perder importância. Este envio dos judeus para Alfama não impediu que eles tivessem um enorme destaque na epopeia dos Descobrimentos e no dia a dia no porto, no comércio e no mundo financeiro de Lisboa. Esta judiaria, ficou conhecida como Judiaria de Alfama ou Judiaria Pequena da Torre de S Pedro. Como este bairro não foi atingido pelo terramoto de 1755, ainda hoje existe a rua da Judiaria na sua forma original. Tinha uma sinagoga, possivelmente construída em 1373/74 contra as ordens do Rei D Fernando I, o que levou ao pagamento de multas. Esta sinagoga foi construída depois da dramática invasão de Henrique II de Castela aquando do seu ataque a Lisboa em 1373. No entanto, não se sabe a sua localização. Com a Idade Média, começa o seu declínio devido ao surgimento de novos locais da cidade para onde as classes mais ricas se deslocam, passando a morar aqui pessoas ligadas ao mar: pescadores, varinas, e outros ofícios.

Apesar de o bairro de Alfama não ter sido praticamente nada afetado durante o terramoto de 1755, esta zona foi deixada ao abandono pelo poder central até ao século XX. O Estado Novo quase nada fez, e a seguir ao 25 de Abril passou-se exatamente o mesmo, tendo Alfama sido sendo identificado como um local perigoso da cidade. Chegou a pensar-se em demolir completamente o bairro e reconstruí-lo, mas tal acabou por não ser feito.

FADO, a música de Portugal nasce em Alfama

imagem de Amália representada na calçada portuguesa
imagem de Amália representada na calçada portuguesa

Apesar da sua decadência a partir da Idade Média, Alfama viu surgir um estilo musical hoje património imaterial da UNESCO, o FADO, que significa destino, saudade, nostalgia. O FADO apareceu no século XIX, numa primeira fase na rua, em bares e em locais de prostituição, precisamente em Alfama. Este género musical começa a ganhar destaque com Maria Severa Onofriana (1820-1846), conhecida como A Severa. É graças ao seu envolvimento com o Conde de Vimioso que o FADO começa a ser ouvido na corte e a ganhar outro tipo de destaque. Como dedicatória ao bairro de Lisboa que viu nascer o fado, Alfama teve ao longo das décadas vários fados serem-lhe dedicados, como Amália Rodrigues (Alfama) Mariza (Vielas de Alfama) ou o Ricardo Ribeiro (Fama de Alfama).

Neste bairro é possível sentir e ver este estilo musical tão tipicamente lisboeta. Só em Alfama existem mais de 50 locais onde é possível ver e ouvir FADO, seja no meio da rua ou num restaurante ou até num café ou numa viela mais escondida. Um festival representativo da atmosfera fadista que se vive neste bairro, é o Festival CaixaAlfama que se realiza todos os anos neste bairro lisboeta e que vive deste ambiente único que aqui existe. Reúne grandes nomes do FADO português, alguns nascidos em Alfama, como Raquel Tavares, e outros como Camané, Ricardo Ribeiro, Gisela João, Carminho, Fátima Rebordão e muitos outros.

Locais a visitar em Alfama

MONUMENTOS

  • Teatro Romano
  • Castelo de S Jorge
  • Museu de Artes Decorativas
  • Museu do Fado

IGREJAS

  • Sé de Lisboa
  • Igreja de Nossa Senhora da Conceição Velha
  • Ermida do Senhor Jesus da Boa Nova
  • Igreja de São João da Praça
  • Igreja de São Miguel
  • Igreja do Menino de Deus

PALÁCIOS

  • Palácio dos Vila-Flor
  • Palácio do Salvador
  • Palácio do marquês do Lavradio
  • Palácio Belmonte

CHAFARIZES E ALCAÇARIAS

  • Chafariz d`El-Rei
  • Chafariz de Dentro
  • Chafariz da Praia
  • Alcaçarias do Duque
  • Banhos da Dona Clara
  • Alcaçarias do Baptista
  • Banhos do Doutor

CURIOSIDADES

  • Centro De Estudos Judiciários
  • Terreiro do Trigo
  • Escolas Gerais
  • Rua do Barão
  • Casa dos Bicos
  • Sinal de trânsito mais antigo
  • Calçada Amália Rodrigues
  • Casa do século XVI
  • Jardim das Pichas Murchas
  • Feira da Ladra