Baixa Centro Lisboeta

A Baixa de Lisboa, também designada Baixa Pombalina, é o coração desta cidade fascinante. Aqui é possível encontrar, experimentar e vivenciar locais emblemáticos que vão ficar na memória por longo tempo.

Junto ao rio Tejo, no icónico Cais das Colunas, sente-se a vocação marítima portuguesa. Era aqui que desembarcavam chefes de Estado e outras personalidades (como Isabel II de Inglaterra) e, muito próximo, podem agora vislumbrar-se os barcos cacilheiros que atravessam o rio para a outra margem, em Cacilhas.

Terreiro do Paço em Lisboa
Do Terreiro do Paço em Lisboa avistamos o rio Tejo até à foz...
Ribeira das Naus em Lisboa, entre Cais do Sodré e a Praça do Comércio
Ribeira das Naus em Lisboa, entre Cais do Sodré e a Praça do Comércio

Separando o Cais do Sodré e a Praça do Comércio – também chamada Terreiro do Paço - está a Ribeira das Naus, um agradável espaço público recentemente redesenhado e que convida à contemplação do rio Tejo e à fruição da brisa ribeirinha. A sua requalificação, numa área que foi em tempos a doca onde foram construídas as naus portuguesas, apela agora a banhos de sol num dos locais ajardinados aqui localizados e ao desfrutar e relaxar sob a fantástica luz de Lisboa.

Ribeira das Naus

A designação Ribeira das Naus surge do nome atribuído, a partir da construção do Paço da Ribeira, às tercenas que D. Manuel I mandou edificar perto do palácio real. Após o terramoto de 1755, a Ribeira das Naus recebeu a designação de Arsenal Real da Marinha. Com a implantação da República, o Arsenal da Marinha abrangia, além dos setores de construção e manutenção naval, outros departamentos da Marinha. O Arsenal da Marinha viria a ser desativado em 1938 com a construção do Arsenal do Alfeite.

Pessoas na Ribeira das Naus a passear e aproveitar o sol durante o inverno português
Pessoas na Ribeira das Naus a passear e aproveitar o sol durante o inverno português
Pessoas ao sol numa esplanada à beira rio na Ribeira das Naus
Pessoas ao sol numa esplanada à beira rio na Ribeira das Naus

A Praça do Comércio em Lisboa é uma das maiores praças da Europa...

A Praça do Comércio em Lisboa é uma das maiores praças da Europa e também uma das mais bonitas. Trata-se de um agradável espaço onde é frequente realizarem-se atividades culturais como espetáculos multimédia e concertos, bem como eventos desportivos.

Restaurantes na Praça do Comércio em Lisboa
Esplanadas dos restaurantes nas arcadas da Praça do Comércio de Lisboa

Os restaurantes nas arcadas da Praça do Comércio convidam para uma degustação da saborosa gastronomia portuguesa. Existem aqui vários restaurantes de vários tipos, uns mais descontraídos, outros mais elaborados, mas todos são muito agradáveis, especialmente para desfrutar de bons momentos. Apreciar a vida da cidade enquando degusta um petisco tipico português, um refresco ou mesmo um café no sabor de uma agradavel conversa...

Martinho cafe bar fotografia tirada em 1909
Foto de bar de café Martinho tirada em 1909

Um restaurante muito interessantes é o Martinho da Arcada. É o café mais antigo da cidade em atividade e era o local escolhido escolhido por personalidades portuguesas ligadas às artes, como Fernando Pessoa, Bocage ou Almada Negreiros. Com mais de duzentos anos, este café-restaurante teve, ao longo da sua história, diferentes nomes e proprietários. Mas foi em 1845 que Martinho Rodrigues adquiriu o espaço e atribuiu-lhe a designação atual. Em 1984, o Martinho da Arcada foi classificado como imóvel de interesse público.

Praça do Comércio vista desde o Cais das Colunas
Praça do Comércio vista desde o Cais das Colunas

Durante cerca de dois séculos, a Praça do Comércio foi o local escolhido como residência pelos reis de Portugal, tendo D. Manuel I transferido para aqui os seus aposentos em 1511 (estava antes no Castelo de São Jorge). Atualmente, a maior parte dos edifícios está ocupada por serviços e departamentos públicos.

Praça do Comércio tem uma longa história

fim da união ibérica em resultado da prisão da Duquesa de Mântua
Fim da união ibérica em resultado da prisão da Duquesa de Mântua

Foi nesta praça que se vivenciaram diversos momentos históricos. Em 1 de Dezembro de 1640, aconteceu aqui ao fim da união ibérica em resultado da prisão da Duquesa de Mântua e da morte de Miguel de Vasconcelos, que foi atirado de uma janela do palácio para o terreiro. O Palácio Real, que estava localizado no espaço atualmente ocupado pelos edifícios que circundam o Terreiro do Paço, foi destruído durante o terramoto de 1755 e albergava uma biblioteca com mais de 70 mil volumes e obras de arte de Ticiano e Rubens, que ficaram destruídos.

palacio real 1755
Palácio Real parcialmente destruído com o terramoto de 1755

Foi também na Praça do Comércio de Lisboa que, em 1908, o rei D. Carlos e o seu filho foram assassinados. A 25 de abril de 1974, dia da Liberdade e da Revolução dos Cravos, aqui aconteceu o cerco dos ministérios pelo Movimento das Forças Armadas, tendo sido derrubados o Governo de Marcelo Caetano e a ditadura do Estado Novo.

assassinato do Rei D. Carlos I e do Principe D. Lus Filipe no ano de 1908
Regicídio Rei D. Carlos I e do Principe D. Lus Filipe no ano de 1908

Representação do assassinato do Rei D. Carlos I e do Príncipe D. Luís Filipe. Acontecimento passado no ano de 1908 na rua do Arsenal, Baixa de Lisboa

A primeira escultura na via pública dedicada a uma pessoa viva

Estátua de Dom José
Estátua de D. José, da autoria do escultor Joaquim Machado de Castro

No centro da praça está localizada a estátua de D. José, da autoria do escultor Joaquim Machado de Castro que a concluiu em 1775, tendo sido a primeira estátua equestre portuguesa. Outras particularidades desta estátua são ter sido a primeira escultura na via pública dedicada a uma pessoa viva, bem como a sua fundição ter sido executada com um só jato de cobre (tendo em consideração a sua dimensão, foi das primeiras do mundo a receber esta técnica). Apesar de estar vivo aquando a sua construção, D. José recusou-se a posar para o autor da escultura. O pedestal da estátua é da autoria de Reinaldo Manuel dos Santos.

Pedestal da estatua de Dom Jose
O pedestal da estátua de Dom José é da autoria de Reinaldo Manuel dos Santos
Lisbon Story Center
Lisbon Story Center, situado frente à Praça do Comércio

Se está interessado em conhecer a história da cidade através de tecnologias multimédia e interativas pode visitar o Lisbon Story Center.

Arco da Rua Augusta

Arco da Rua Augusta, Terreiro do Paço em Lisboa
Arco da Rua Augusta, Terreiro do Paço na Baixa de Lisboa

O Arco da Rua Augusta é um dos locais imprescindíveis a visitar. Localizado na parte Norte da Praça do Comércio, daqui é possível contemplar-se das melhores vistas sobre a Baixa lisboeta. Em estilo neoclássico, o Arco da Rua Augusta é uma das portas para a rua que tem o mesmo nome (Rua Augusta) e onde é possível desfrutar o carácter cosmopolita da cidade, quer seja observando as áreas comerciais existentes, seja pelos artistas de rua que dão cor e movimento permanente a esta rua.

A construção do Arco da Rua Augusta foi realizada simultaneamente aquando da recuperação urbanística após o terramoto de 1755. Decorreu em diferentes fases tendo primeiramente sido recuperado até a um nível intermédio e sido inaugurado em 1875, já com o coroamento do arco. A finalização da obra foi atribuída a Veríssimo da Costa.

Praça do Comércio e a construção do arco da rua Augusta durante o ano de 1862

parte superior do arco, a Glória, o Génio e o Valor e a sua autoria pertence a Célestin Anatole Calmels
parte superior do arco da rua Augusta represanta A Glória, o Génio e o Valor

A parte superior do arco inclui esculturas representando a Glória, o Génio e o Valor e a sua autoria pertence a Célestin Anatole Calmels. As esculturas na parte inferior são de Vitor Bastos e referem-se a figuras marcantes na história de Portugal: Vasco da Gama, Marquês de Pombal, Nuno Álvares Pereira e Viriato. Também é possível visualizar uma inscrição em latim alusiva à força do império português: “Às virtudes dos maiores, para que sirva a todos de ensinamento, assinalando para a eternidade dos tempos a grandiosidade da alma portuguesa e das suas conquistas ao longo dos séculos”.

As culturas na parte inferior do Arco: Vasco da Gama, Marquês de Pombal, Nuno Álvares Pereira e Viriato
As culturas na parte inferior do Arco: Vasco da Gama, Marquês de Pombal, Nuno Álvares Pereira e Viriato
Sala do relógio no interior do arco da rua Augusta
Sala do relógio no interior do arco da rua Augusta

No interior do Arco da Rua Augusta, é possível visitar a exposição na Sala do Relógio, onde se revivem as histórias deste monumento bem como se compreende a importância que teve para a cidade.

Paralelamente à Rua Augusta, surgem ruas associadas a ofícios vários, como sejam as ruas dos Fanqueiros, Correeiros, Sapateiros, do Ouro e da Prata. Todas elas formam uma grelha urbana de ruas retas e perpendiculares que foi desenhada pelo Marquês de Pombal, de seu nome Sebastião José de Carvalho e Melo, aquando da reconstrução desta parte da cidade após o terramoto de 1755. Os edifícios caracterizam-se por áreas nos andares inferiores reservadas ao comércio, enquanto os andares superiores eram habitados por famílias mais nobres.

rua augusta, Lisboa
Ruas retas e perpendiculares à rua Augusta, desenho em grelha urbana por Marquês de Pombal na baixa lisboeta

Uma das características mais interessantes e inovadores da arquitetura pombalina é o facto de ser um dos primeiros exemplos de construção anti-sísmica. Para esse efeito, foram desenhadas fundações em estacaria para os edifícios e os andares superiores respeitam o formato das designadas gaiolas pombalinas.

interior rua augusta
Do interior rua Augusta pode ver o relógio no topo do arco

Sé de Lisboa ou Igreja de Santa Maria Maior

Sé de Lisboa ou Igreja de Santa Maria Maior
Sé de Lisboa ou Igreja de Santa Maria Maior

Subindo em direção a Alfama, encontra-se a Sé de Lisboa ou Igreja de Santa Maria Maior. Começou a ser construída no século XII após a vitória de D. Afonso Henriques expulsando os Mouros da cidade. Inicialmente desenhada em 1147 em estilo românico, a Sé de Lisboa é o resultado de vários estilos arquitetónicos. Ao longo dos tempos, a Sé de Lisboa recebeu vários altares, incluindo os conhecidos Painéis de São Vicente de Fora, que atualmente podemos visitar no Museu Nacional de Arte Antiga. À esquerda, após a entrada, podem-se encontrar pinturas e azulejos sobre a vida de Santo António de Lisboa. A Sé de Lisboa teve três órgãos sendo o mais antigo da autoria de Joaquim Fontanes. Através da torre Sul voce pode igualmente visitar o tesouro da Sé que inclui uma interessante coleção de pratas, trajes eclesiásticos, manuscritos e relíquias ligados a São Vicente, bem como a Sala do Capítulo. Após diversas remodelações e reconstruções a Sé de Lisboa, hoje em dia vislumbra-se como uma cativante mistura de estilos que lhe conferem um traço revivalista com muitos elementos originais.

elevador de Santa Justa, acesso ao Largo do Carmo

Elevador de Santa Justa
Elevador de Santa Justa visto da baixa

Quando chegarmos na Rua do Ouro, encontramos o elevador de Santa Justa, também chamado de elevador de Carmo devido o caminho de subida e descida, entre a Rua do Ouro e o Largo do Carmo. Projetado pelo engenheiro Raoul Mesnier du Ponsard, o elevador construído em ferro e em estilo neogótico foi inaugurado em 1902 e foi considerado na época uma construção inovadora. Com uma altura de 30 metros, os pontos de vista no piso superior são cativantes e convidam a contemplação na baixa de Lisboa. Embora muitas vezes referida como um link do autor do projeto com Gustave Eiffel, na realidade este link não é fundamentado com provas. No entanto, o engenheiro Raoul Mesnier du Ponsard aplicado a materiais e técnicas usadas anteriormente em França na construção do elevador Santa Justa em Lisboa.

No interior do elevador de Santa Justa tem uma vista panorâmica sobre o centro da cidade de Lisboa
Dentro de Santa Justa de elevador tem uma vista panoramica sobre a baixa da cidade de Lisboa

Rossio, ou Praça de D. Pedro IV

Rossio, ou Praça de D. Pedro IV
À noite no Rossio

Toda esta rede de ruas conflui numa das praças mais bonitas de toda a cidade: o Rossio, ou Praça de D. Pedro IV. Durante a época romana, no espaço da praça existia um hipódromo. Foi na Idade Média que começaram a ser construídos os primeiros edifícios. Com o terramoto de 1755, que derrubou um elevado número de construções no Rossio, Carlos Mardel desenhou um plano de reedificação. Aqui tiveram lugar eventos diversos como feiras, paradas militares, revoluções e até touradas.

Na Praça do Rossio virados a sul pode avistar o Chiado na encosta. Os arcos da Ruínas do convento do Carmo e as fachadas dos edifícios pombalinos

HISTÓRICO
Nicola, café bar histórico de Lisboa

Depois destes desenvolvimentos históricos vários, o Rossio é hoje o coração da Baixa lisboeta, nele se localizando comércio diverso, incluindo cafés históricos como o Nicola ou a Pastelaria Suíça . O Rossio e ruas adjacentes formam não só uma área comercial a céu aberto, como são também sede de empresas, startups e espaços de hotelaria que dão vida à Baixa de Lisboa.

Pastelaria Suíça está localizada na Praça do Rossio (Pedro IV), em Lisboa. A esplanada da pastelaria é um lugar muito apreciado pelos habitantes de Lisboa e pelos turistas e visitantes para observar a movimentada Praça do Rossio, enquanto apreciam a deliciosa pastelaria e cozinha portuguesa

Estátua D. Pedro IV no centro do Rossio
Na base da Estátua, quatro esculturas femininas alusivas à Justiça, Prudência, Fortaleza e Moderação

A estátua de D. Pedro IV encontra-se no centro da animada praça do Rossio. No pedestal, da autoria de Germano José de Salles, surgem quatro esculturas femininas alusivas à Justiça, Prudência, Fortaleza e Moderação. Estas qualidades eram atribuídas a D. Pedro IV, que tinha o cognome de Rei-Soldado. A estátua em bronze foi obra de Elias Robert.

Teatro D. Maria II

Teatro D. Maria II
O Teatro D. Maria II foi inaugurado em 1846, pensado e idealizado pelo escritor Almeida Garrett

No Rossio encontrará o Teatro D. Maria II. É neste bonito espaço cultural que se pode assistir a peças de teatro ao longo do ano. Mesmo quando não se realizam espetáculos, vale a pena visitar esta bela sala para apreciar a majestosidade. O teatro foi inaugurado em 1846 por ocasião das comemorações do 27º aniversário de D. Maria II. Pensado e idealizado pelo conhecido escritor Almeida Garrett no contexto de uma política cultural nacional, o teatro foi projetado pelo arquiteto italiano Fortunato Lodi que lhe atribuiu um estilo marcadamente neoclássico. Em 1964, um incêndio deflagrou-se deixando apenas intactas as paredes exteriores, que só reabriu em 1978. O teatro está classificado como monumento nacional.

estação ferroviária do rossio
Estação Ferroviária do Rossio é desde 1971 um imóvel de interesse público

Na ligação entre o Rossio e outra bonita praça de Lisboa – A praça dos Restauradores – encontra-se a Estação Ferroviária do Rossio. Daqui partem os comboios para Sintra. Desenhada por José Luis Monteiro e em estilo Manuelino, a estação é desde 1971 um imóvel de interesse público.

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